29/07/2020 – Destaque econômico – Surpresa positiva com os dados de mercado de trabalho refletiu a retomada da atividade econômica e os efeitos de proteção ao emprego.

Houve destruição líquida de 11 mil postos formais de trabalho em junho, conforme apontado ontem na divulgação do Caged. O dado reportado foi muito melhor do que o esperado por nós (-160 mil) e pelo mercado (-220 mil), com surpresas positivas generalizadas dentre as atividades econômicas. Descontados os efeitos sazonais, houve fechamento líquido de 28,5 mil vagas no período, o que levou a média móvel trimestral de -487 mil para -427 mil. O mercado de trabalho continua desafiador nos próximos meses, mas com sinais mais favoráveis que o esperado no curto prazo. Os indicadores antecedentes de julho sugerem continuidade da melhora no período.   Sondagem da Indústria aponta para continuidade da recuperação do setor no começo deste trimestre. O Índice de Confiança da Indústria, divulgado hoje pela FGV, subiu 12,2 pontos em julho, para 89,8 pontos. Esse avanço, ligeiramente menor que o reportado na prévia, foi puxado pelos dois componentes, o de situação atual e o de expectativas. O nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) do setor avançou de 66,6% para 72,3%, maior patamar desde março.   Recuperação do comércio continua em curso, mas com alguma acomodação no ritmo de melhora. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado ontem, captura a variação do faturamento nominal no comércio brasileiro, comparativamente às semanas equivalentes em fevereiro, já com ajuste de calendário e sazonalidade. Indicadores de alta frequência têm ganhado relevância neste momento, para uma melhor leitura do cenário na margem. A recuperação ganhou força a partir de maio, com a reabertura de lojas em várias regiões do país. Houve certa moderação no ritmo de melhora do comércio nas duas últimas semanas, com perdas de 16,3% em relação ao pré-pandemia. Já o setor de serviços, embora apresente quedas mais intensas que o comércio, tem sido beneficiado na margem por maior flexibilização das quarentenas.   Contas externas continuam melhorando, refletindo exportações de commodities, câmbio e atividade doméstica enfraquecida. Em junho, o superávit em conta corrente foi de US$ 2,2 bilhões. Em relação a junho do ano passado (déficit de US$ 2,7 bilhões), a reversão de sinal foi influenciada pelo aumento do superávit da balança comercial, favorecido pela depreciação cambial, embarques de commodities e importações enfraquecidas. Também houve redução do déficit na conta de serviços, refletindo o menor montante de gastos de brasileiros no exterior. Por fim, o fluxo de Investimentos Diretos no País (IDP) surpreendeu positivamente, com entrada de US$ 4,8 bilhões.   À espera da reunião do FOMC, mercados operam majoritariamente em alta nesta quarta-feira. Investidores esperam que o banco central norte-americano não altere a taxa de juros e que sinalize estar preparado para novos estímulos, se necessário, para fazer frente aos impactos da pandemia. Contudo, preocupações com o aumento do número de casos de Covid-19 em vários países limitam os ganhos. Além disso, as negociações no Congresso norte-americano para aprovação de novo estímulo fiscal de US$ 1 trilhão seguem no radar. Assim, os mercados acionários registram ganhos e o dólar perde força ante as demais moedas. Por fim, os preços contratos futuros do petróleo avançam.  
Fonte: Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos depec-bradesco@infobradesco.com.br
Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Limeira/SP