28/08/2020 – Destaque Econômico

Inflação segue bem comportada e, atividade, em recuperação

Análise de Conjuntura

Preços mais pressionados no atacado não têm se traduzido em aceleração relevante da inflação ao consumidor.

  • O IGP-M de agosto registrou alta de 2,74%, com pressão na cadeia de minério de ferro e alimentos. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 registrou alta de 0,23% em agosto. Por um lado, é possível observar o repasse cambial afetando o índice, mas a inflação de serviços segue baixa e os núcleos estão bem comportados, com variação inferior a 2,0% em doze meses.

Atividade doméstica continuou com trajetória positiva em agosto, indicando expansão do PIB neste trimestre.

  • Os índices finais de confiança do consumidor, do comércio, da construção civil e da indústria subiram em agosto, reforçando o cenário de retomada observada desde maio. Dois pontos merecem destaque nas sondagens: a alta da confiança foi impulsionada tanto pela situação atual quanto por expectativas e houve aumento do nível de utilização da capacidade instalada da construção civil e indústria. Nesse último caso, o nível retomou o patamar observado em março deste ano.

Fed terá meta de inflação média de 2,0%, o que permitirá ao banco central dos EUA manter a taxa de juros baixa por um período prolongado

  • O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou a mudança de política monetária no simpósio Jackson Hole. O banco central norte-americano perseguirá uma meta de inflação média, flexível, mirando 2,0% no longo prazo, sem se amarrar a uma fórmula. Assim, após períodos de baixa inflação, o banco central aceitará inflação moderadamente mais elevada por algum tempo. Powell também avaliou que a política fiscal tem contribuído para a retomada da atividade, ainda que a crise afete alguns setores por um período mais prolongado.

Covid-19 continua avançando em alguns países europeus.

  • O avanço do vírus pode estar atrelado tanto ao aumento de testes quanto ao de mobilidade, sem reflexo em crescimento do número de mortes. Assim, por ora, as medidas de restrição social estão ocorrendo de forma pontual, ao mesmo tempo em que as medidas fiscais seguem presentes para amenizar os impactos da pandemia. Nesta semana, por exemplo, a Alemanha prorrogou medidas de emprego até o final de 2021 e, para empresas, até o final deste ano.

Perspectivas para a próxima semana

  • A divulgação do PIB do 2º trimestre será o destaque na agenda doméstica. O PIB deve ter recuado 8,9% no último trimestre, configurando a segunda queda consecutiva. O dado deve refletir a retração do consumo das famílias e da formação bruta de capital fixo, refletindo as medidas de distanciamento social e o elevado nível de incertezas do período. Ademais, a próxima semana terá a divulgação de emplacamento e produção de veículos de agosto, o que permitirá avaliar o ritmo de crescimento do trimestre atual.
  • Agenda externa concentrará indicadores de atividade de agosto, que podem mostrar alguma acomodação de serviços, com a indústria em expansão. Na próxima semana serão conhecidos os índices PMI da indústria e de serviços da grande maioria dos países. Nos EUA, teremos a divulgação do ISM da indústria e de serviços e dos dados de emprego de agosto.

Fonte: Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos Bradesco

Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Empresarial Limera SP