17/08/2020 – Destaque Econômico

Mercado revisou estimativas para PIB e IPCA deste ano, além da taxa Selic para o ano que vem. Segundo o Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, o mercado espera contração de 5,52% para o PIB deste ano (ante 5,62% na leitura anterior) e crescimento de 3,5% no próximo ano. Em relação ao IPCA, a mediana das projeções para 2020 subiu de 1,63% para 1,67%, enquanto para 2021, ficou estável em 3,0%. As medianas das expectativas para a taxa de câmbio não foram alteradas, seguindo em R$/US$ 5,20 no final deste ano e em R$/US$ 5,00 no final do ano que vem. Por fim, a mediana das projeções para a taxa Selic permaneceu em 2,0% para o final de 2020, enquanto passou de 3,0% para 2,75% para o final do próximo ano.  
Indicadores correntes até junto são compatíveis com contração do PIB no segundo trimestre, mas trajetórias apontam para terceiro trimestre com recuperação. O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira, avançou 4,9% na passagem de maio para junho. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve queda de 7,0%. O BC não divulga as aberturas desse indicador, mas, considerando-se as pesquisas conjunturais do IBGE, os setores da indústria, do comércio e de serviços contribuíram positivamente para o resultado. Assim, diante da melhora da atividade econômica em curso, os dados vão reforçando que abril foi o momento mais crítico da pandemia para a economia.  
Dados dos EUA continuam apontando para recuperação econômica neste terceiro trimestre. Divulgada na sexta-feira pelo Fed, a produção industrial no país avançou 3% em julho ante junho. Ainda assim, a produção industrial continua 8,7% abaixo dos níveis registrados em fevereiro. Do lado da demanda, as vendas do varejo avançaram pelo terceiro mês seguido, crescendo 1,2% em julho, puxadas pelas vendas de produtos eletrônicos. Os dados seguem indicando recuperação relevante no comércio, cujo nível de vendas já está acima do pré-pandemia.   Depois da forte queda do PIB entre abril e junho, sinais iniciais para o terceiro trimestre sugerem que economia japonesa tem se recuperado lentamente. Na margem, o PIB japonês recuou 7,8% no segundo trimestre. Essa queda foi ligeiramente mais intensa do que o esperado (-7,6%), mantendo a sequência de contração trimestral que vem desde o quarto trimestre de 2019, quando houve aumento de impostos sobre o consumo. Todos os componentes da demanda doméstica registraram queda na leitura atual, enquanto o setor externo contribuiu negativamente, o que foi influenciado principalmente pela maior queda das exportações desde o primeiro trimestre de 2009. Os dados mais recentes do país apontam para recuperação no terceiro trimestre, mas em ritmo mais gradual do que no resto do mundo, como divulgado alguns dias atrás. De fato, o PMI composto de julho alcançou 44,9 pontos, mantendo-se abaixo do patamar neutro.  
Preocupações com as tensões sino-americanas deixam mercados sem direção única nesta segunda-feira. Na sexta-feira, o presidente Donald Trump deu o prazo de 90 dias para uma empresa chinesa de aplicativos vender seus ativos, sob a alegação de se tratar de uma questão de segurança nacional. Além disso, a reunião entre os dois países, que estava prevista para o último dia 15, foi adiada e não tem nova data definida. Já a notícia de que o banco central chinês injetou 700 bilhões de yuans (US$ 101 bilhões) no sistema bancário do país por meio de sua linha de crédito de médio prazo traz algum alívio à aversão ao risco. Assim, os mercados acionários não apresentam movimento único, enquanto o dólar perde força ante a maioria das moedas. Por fim, os preços dos contratos futuros de petróleo recuam.  
Fonte: Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos Bradesco
Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Empresarial Limeira/SP