13/08/2020 – Destaque Econômico – Crescimento das vendas do varejo

Crescimento das vendas do varejo aponta para recuperação do consumo das famílias. As vendas do comércio varejista cresceram 8,0% na passagem de maio para junho, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. O resultado, que ficou acima do esperado por nós (+6,4%) e pelo mercado (+5,4%), refletiu a melhora em quase todos os segmentos da pesquisa. Esperamos que o varejo mantenha-se em trajetória ascendente, diante da continuidade da flexibilização das medidas de distanciamento social e da recomposição de renda das famílias. Essa visão é corroborada pelos dados semanais do Índice Cielo de Varejo Ampliado, que apontam para nova alta em julho e nos primeiros dias de agosto.  
Melhora da confiança empresarial sugere continuidade da recuperação da produção industrial em agosto. Divulgado ontem pela CNI, o índice de Confiança do Empresário Industrial avançou de 47,6 em julho para 57,0 pontos em agosto, ficando acima do nível neutro (de 50,0 pontos) e da média histórica (de 53,4 pontos). O resultado é explicado pela melhora da percepção quanto às condições atuais e, principalmente, das expectativas, diante da retomada da demanda. No setor de motocicletas, por exemplo, a produção cresceu 6,8% em julho, na métrica interanual, segundo dados da Abraciclo. Nesse mesmo período, as vendas internas avançaram 4,8% e as externas 59,9%, na mesma base de comparação.  
Aceleração da inflação ao consumidor nos EUA não deve alterar percepções do Fed em torno da necessidade de manter estímulos. O indicador avançou 0,6% na passagem de junho para julho, acima do esperado (0,3%). Essa alta foi impulsionada pelos preços de combustíveis, após vários meses de deflação. O núcleo de inflação, que exclui itens de alimentação e energia, também subiu 0,6%, acelerando ante a taxa de 0,2% registrada em junho, acumulando alta de 1,6% em doze meses (abaixo da meta de 2,0% do Fed). Destaques positivos para veículos (principalmente usados) e serviços, itens que têm reagido à flexibilização das medidas de distanciamento social.   Relatório do USDA elevou estimativas para as safras mundiais de soja e de milho no ciclo 2020/21. As revisões altistas refletem a melhora das expectativas para a produção norte-americana, com manutenção da estimativa de produção de soja brasileira. No caso da soja, também houve elevação da estimativa de consumo global, o que resultou em estoques menores do que o esperado, fator de pressão sobre as cotações. Para o milho, o órgão apontou aumentou de estoques finais esperados. Por outro lado, a produção de trigo foi ajustada para baixo, mas compensada pela revisão do consumo, também baixista. Isso levou à previsão de estoques mais elevados, o que deve aliviar os preços. Preocupações com pacote fiscal nos EUA levam mercados ao campo negativo nesta quinta-feira. As negociações entre a Casa Branca e o Congresso para renovação dos estímulos fiscais têm se prolongado e os investidores temem que a maior economia global fique sem suporte adicional, sobretudo diante do avanço da pandemia em alguns estados norte-americanos. Além disso, há incertezas em torno da reunião entre representantes de EUA e China, prevista para o próximo dia 15. Assim, os mercados acionários operam em queda, enquanto o dólar perde força ante as demais moedas. Os preços dos contratos futuros de petróleo recuam, refletindo também a redução das projeções da Agência Internacional de Energia para a demanda de petróleo, que passou a prever maior queda em 2020 e menor recuperação do consumo no próximo ano.  
Fonte: Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos – Bradesco
Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Limeira/SP