08/06/2021 – Destaque Econômico

O que a surpresa do PIB no 1º trimestre nos ensina para o restante do ano

O PIB cresceu 1,2% no primeiro trimestre na margem, surpreendendo positivamente o mercado.

  • . Houve crescimento generalizado entre os setores, com destaque para o Agronegócio (+5,7%). Pela ótica da demanda, a formação bruta de capital fixo registrou a maior expansão (+4,6%). Os resultados ainda apontam elevação do nível de estoques, que deve seguir como tendência nos próximos trimestres, dado que permanecem em patamar historicamente baixo. Na contramão, o trimestre foi marcado pela ligeira queda do consumo das famílias (-0,1%), refletindo medidas mais intensas de distanciamento social adotadas durante a segunda onda de Covid-19. O avanço da vacinação deve permitir maior grau de abertura da economia nos meses à frente, inclusive do setor de serviços. Para o ano, projetamos crescimento de 4,8% do PIB.

Os dados referentes ao segundo trimestre, por ora, dão sinais mistos.

Por um lado, a produção industrial surpreendeu negativamente em abril, com queda de 1,3% ante março, puxada por bens intermediários. Por outro, as sondagens de serviços e comércio mostraram recuperação da confiança do empresário em maio, de forma disseminada entre os segmentos pesquisados e impulsionadas pela situação atual. Além disso, o emplacamento de veículos também registrou alta em maio, reforçando o cenário de reabertura. Levando em conta esses fatores, esperamos certa estabilidade do PIB na passagem do primeiro para o segundo trimestre.

No ambiente externo, economia segue em ritmo forte, sustentando preços de commodities em nível elevado.

  • Os índices PMI mostraram avanço na passagem de abril para maio, com melhora de serviços e, na indústria, segue grande o descompasso entre pedidos – em alta – e os estoques, em patamares reduzidos. Nos EUA, foram criadas 559 mil vagas de emprego em maio, abaixo das estimativas de mercado, de 700 mil. Entre os fatores que limitam uma expansão mais forte da atividade, destaque para a falta ou atraso na entrega de insumos, que segue como fator de restrição ao crescimento industrial. O recrudescimento da pandemia na Ásia (ex-China) e a redução da mobilidade na região tendem a acentuar esse risco. Entretanto, o avanço da imunização da população no mundo reforça o cenário de maior abertura da economia no segundo semestre e retomada, mais clara, especialmente no setor de serviços.

Perspectivas para a próxima semana

Perspectivas para a próxima semana

  • Inflação e atividade serão focos da agenda doméstica. O IPCA de maio deve registrar alta de 0,72%, puxado por combustíveis e energia elétrica. Dentre os dados de atividade, destaque para a PMC e PMS de abril, que devem mostrar recuperação ante março diante do aumento de mobilidade.

No ambiente internacional, mercado ficará atento aos dados de atividade e à reunião do BCE. Na China, conheceremos as importações e exportações, que podem ajudar a calibrar as projeções para o ritmo de crescimento, que vem surpreendendo positivamente. Na Alemanha, conheceremos o índice ZEW de sentimento econômico referente a junho. Por fim, teremos a reunião de política monetária do BCE, que deve trazer uma leitura mais positiva da atividade econômica, mas com a inflação em patamar confortável.

Fonte: Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos Bradesco

Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Empresarial Limeira