Mercado revisou suas projeções de inflação, câmbio e PIB deste ano

O mercado alterou novamente suas projeções de inflação para cima e o PIB para baixo neste ano, conforme apontado pelo Relatório Focus, com estimativas coletadas até o dia 24 de abril, divulgado hoje pelo Banco Central. A mediana das expectativas para o IPCA de 2015 foi revisada para cima, de 8,23% para 8,25%, enquanto para 2016 permaneceu constante em 5,60%. As estimativas para o PIB em 2015 passaram de uma queda de 1,03% para 1,10% e para 2016 mantiveram crescimento de 1,00%. A mediana das projeções para a taxa Selic permaneceu em 13,25% para este ano e em 11,50% para 2016. Por fim, as estimativas para a taxa de câmbio passaram de R$/US$ 3,21 para R$/US$ 3,20 no final de 2015 e foram mantidas em R$/US$ 3,30 no final de 2016.

Destaques da semana
Agenda carregada nesta semana terá as decisões do BC brasileiro e do Fed como destaques
O mercado ficará atento à reunião do COPOM, na quarta-feira, quando acreditamos que o BC encerrará o ciclo de aperto monetário com mais uma alta de 25 bps na taxa Selic, levando os juros a 13% ao ano. Na mesma data, conheceremos o IGP-M de abril, cuja alta de 1,04% deve ser explicada pela aceleração dos preços industriais, que mais que compensam o alívio de preços agrícolas e ao consumidor. Ademais, amanha será divulgada a pesquisa mensal do emprego do IBGE, que deve apontar taxa de desemprego de 6,5% em março. Conheceremos ainda os indicadores fiscais de março. Na quarta-feira será divulgado o resultado primário do governo central, que deve ser positivo em R$ 3,5 bilhões; na quinta, a nota à imprensa de política fiscal de março e, sem data definida, a arrecadação de impostos e contribuições de março, que deverá somar R$ 93 bilhões. Por fim, amanhã também teremos a divulgação da sondagem do comércio de abril, da FGV, e as sondagens da indústria e de serviços na quinta-feira.

Na agenda externa, destaque para a decisão de política monetária do Fed e a nova prévia do PIB do terceiro trimestre dos EUA, ambos na quarta-feira. Também conheceremos os índices de atividade do Fed Dallas, ainda hoje, de confiança do consumidor (Conference Board) na terça, dos gerentes de compra de Chicago na quinta-feira e o PMI Markit e o ISM da indústria de transformação na sexta-feira. Na Área do Euro, o destaque ficará com i) os índices de sentimento econômico e de confiança do consumidor de abril, na quarta-feira; e ii) a taxa de desemprego de março e a leitura preliminar do índice de preços ao consumidor de abril, na quinta-feira. Finalmente, na China teremos o PMI da indústria de transformação de abril na quinta-feira.

Atividade
-FGV: indicadores de confiança sugerem alguma melhora do setor de construção e do consumo em abril
Tanto a confiança do consumidor como da construção exibiram a primeira alta do ano em abril, segundo dados divulgados nesta manhã pela FGV. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 3,3% entre março e abril, sucedendo três quedas consecutivas nos meses anteriores. Contribuíram para esse desempenho as altas de 3,3% do Índice de Situação Atual e de 2,7% do Índice de Expectativas. Já o Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou 0,8% no período, após quatro quedas seguidas na margem. Tal comportamento refletiu principalmente à evolução favorável da confiança nos segmentos ligados às obras de infraestrutura. Ainda que as expectativas do setor tenham melhorado, com alta de 3,7% do Índice de Expectativas, a avaliação sobre as condições atuais mantive-se em queda. Apesar dos sinais favoráveis emitidos pelos resultados deste mês, ainda nos parece precipitado afirmar que se trata de uma reversão consistente dos indicadores de confiança. Com isso, mantemos a previsão de nova queda do PIB no segundo trimestre.

-BC: estoque de crédito em março manteve o ritmo moderado de expansão
O estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) somou R$ 3,0 trilhões em março, conforme divulgado na sexta-feira pelo Banco Central (BC). Dessa forma, a relação crédito/PIB atingiu o patamar de 54,8% ante os 52,2% registrados no mesmo período do ano passado, resultado obtido considerando a nova metodologia do PIB. Segundo as nossas estimativas, em termos dessazonalizados, o saldo das operações de crédito apresentou expansão de 0,9%, ou seja, manteve a média de crescimento mensal apresentada nos últimos meses. A carteira de crédito direcionado apresentou novamente a maior taxa de expansão, 1,5%, frente ao crescimento de 0,4% observado no estoque de crédito com recursos livres. Vale mencionar que a depreciação cambial ocorrida em março acabou inflando a variação do estoque, já que algumas linhas são atreladas à moeda estrangeira. O caso mais emblemático é o da carteira do BNDES, que segundo o Banco Central, se descontarmos a variação cambial, teria crescido 0,8%, ao invés dos 2,2% de fato registrados. De maneira geral, com esse desempenho do crédito, mantemos nossa expectativa de que a carteira total do sistema financeiro nacional crescerá 9,0% neste ano, ante alta de 11,3% obtida no ano passado.

-IBÁ: produção de celulose registrou queda em março
A produção brasileira de celulose registrou 1,372 milhão de toneladas em março, o equivalente a uma queda de 1,0% ante fevereiro, na série livre de efeitos sazonais, de acordo com dados divulgados na última sexta-feira pela Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). A produção de papel, por sua vez, avançou de 0,7% na margem. Em relação às vendas, celulose e papel apresentaram altas, registrando avanços de 8,7% e 1,7%, nessa ordem, excetuados os efeitos sazonais. No mesmo sentido, as exportações de celulose registraram alta de 2,1%, enquanto as de papel apresentaram avanço de 7%, na mesma base de comparação. Foi verificado avanço também no comparativo com o mesmo mês do ano passado. As produções de celulose e papel apresentaram altas de 1,9% e 0,3%, respectivamente. Para este ano, prevemos continuidade do crescimento do setor, em função da maturidade dos investimentos efetuados nos últimos anos.

Tendências de mercado
A expectativa de novas medidas de estímulo ao crescimento na China impulsionou a maioria das bolsas asiáticas no primeiro pregão da semana. A bolsa de Tóquio, no entanto, recuou diante do rebaixamento do rating de longo prazo do Japão, mantendo a cautela antes da decisão de política monetária do BoJ nesta semana. Nas bolsas europeias, prevalece o sinal negativo, em função das preocupações com a dívida grega. Os índices futuros norte-americanos apontam viés de alta na abertura do mercado.

O dólar volta a se fortalecer frente às principais moedas. Já os preços dos metais básicos sobem favorecidos pela expectativa de estímulos na China. Em sentido contrário, as commodities agrícolas são cotadas em baixa, respondendo à menor preocupação com as condições climáticas nos EUA. O petróleo também é cotado em baixa nesta manhã. Por fim, no Brasil, o mercado de juros deve fazer os últimos ajustes antes da reunião do Copom, que ocorre na terça e quarta-feira, além de responder à alta da confiança do consumidor e da construção, conforme sondagens da FGV divulgadas há pouco.

Fonte: Bradesco Boletim Diário Matinal

Notícia selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados

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