Confiança da indústria mostrou nova alta em julho, puxada pela avaliação da situação corrente

Mantendo a tendência positiva dos últimos meses, o índice de confiança da indústria sinaliza nova melhora em julho, ao mostrar ganho de 3,5 pontos em relação ao registrado em junho, conforme resultado prévio divulgado há pouco pela FGV. Destaca-se, na passagem do mês passado para o corrente, a elevação do índice da situação atual, de 3,8 pontos, acompanhada pelo avanço de 3,1 pontos do índice de expectativas. Na mesma direção, o índice de capacidade instalada subiu 0,4 ponto percentual. Na semana que vem, além das demais sondagens para outros setores, conheceremos o resultado final dessa pesquisa, que deverá reforçar a nossa expectativa de gradual retomada da atividade econômica ao longo deste segundo semestre.

Atividade
– CNI: sondagem sugere melhora na atividade do setor de construção civil em junho
O indicador que mensura a atividade do setor de construção civil em relação ao mês anterior atingiu 41,2 pontos em junho, de acordo com a Sondagem da Indústria da Construção divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O resultado corresponde a uma alta de 3,5% na margem, marcando, assim, a sétima elevação consecutiva do índice. No mesmo sentido, o indicador de atividade em relação ao usual subiu 4,4%, revertendo a queda de 2,3% observada em maio. Os dados apontam, dessa forma, para melhora do setor no mês passado. Em contrapartida, as expectativas para julho mostraram recuo ante junho, com destaque para o número de novos empreendimentos, com retração de 2,5%.

Inflação:
– IBGE: elevação do IPCA-15 de julho foi acentuada pela surpresa altista com os preços de alimentação no período
O IPCA-15 mostrou alta de 0,54% em julho, de acordo com os dados divulgados ontem pelo IBGE. O resultado ficou bem acima da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, de elevações de 0,42% e 0,45%, respectivamente. A aceleração em relação ao mês passado, quando havia avançado 0,40%, refletiu a pressão do item alimentação e bebidas, que passou de uma alta de 0,35% para outra de 1,45% no período, explicando a surpresa altista em relação às nossas estimativas. Assim, o indicador acumulou variação de 8,93% nos últimos doze meses. Para o IPCA cheio, esperamos desaceleração do índice, com a descompressão já em curso dos preços de alimentação.

Internacional
– Área do Euro: índice PMI composto apresentou ligeiro declínio em sua leitura preliminar de julho, sugerindo que as preocupações com o Brexit começam a se dissipar

O índice PMI composto da Área do Euro alcançou 52,9 pontos em julho, de acordo com sua leitura preliminar divulgada hoje pela Markit, superando as expectativas (52,5). Ainda que esse resultado seja o menor dos últimos dezoito meses, nota-se apenas modesta queda em relação ao mês passado, quando atingiu 53,1 pontos. O ligeiro recuo foi observado na atividade do setor de serviços, cujo indicador oscilou de 52,8 para 52,7 pontos (ante consenso de 52,3), e também na indústria manufatureira (de 52,8 para 51,9 pontos, contra expectativa de 52,0). Analisando a abertura do indicador, destaca-se a queda da produção, ao mesmo tempo em que a criação de empregos no setor de serviços foi a maior registrada desde fevereiro de 2008.  Dessa forma, por ora e superando as expectativas, a atividade do bloco mostra resiliente à decisão da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Já o índice PMI composto do Reino Unido registrou retração expressiva entre junho e este mês, ao passar de 52,4 para 47,7 pontos, alcançando o menor nível em mais de sete anos e sinalizando, com isso, contração da atividade no período. Esse movimento se deve, majoritariamente, ao setor de serviços, cujo indicador recuou de 52,3 para 47,4 pontos; o índice da indústria, por sua vez, apresentou queda mais amena, de 3,0 pontos, ao atingir 49,1 pontos. Esses resultados, assim, sugerem que as preocupações com o Brexit devem começar a se dissipar, ainda que os impactos de menor dinamismo das economias da região não devam ser descartados.

– Área do Euro: perspectiva de prolongar o programa de compra de títulos concede tom mais flexível à decisão de política monetária do BCE

Apesar de o Banco Central Europeu (BCE), na reunião de política monetária realizada ontem, ter optado pela manutenção das taxas de juros (em -0,4% para a taxa de depósito e 0% para a de refinanciamento), o comunicado deixou explícita a opção de prolongar o programa mensal de compra de títulos de € 80 bilhões, com término previsto para março de 2017, para além desse período se preciso. Assim, apesar de ter adotado postura parecida com a do Banco da Inglaterra, de cautela perante o contágio do Brexit, a sinalização da possibilidade de prolongar o afrouxamento quantitativo trousse um tom mais flexível à condução de política monetária.

Tendências de mercado
Assim como nos dias anteriores, os mercados internacionais operam novamente sem tendência única, diante dos resultados dos índices PMIs da Área do Euro e do Reino Unido, que foram impactados, ao menos por enquanto, de forma distinta pelo Brexit. Assim, as bolsas europeias também apresentam movimentos divergentes nesta sexta-feira. Já os mercados asiáticos encerraram o último pregão da semana em baixa, com destaque para a queda das ações japonesas, que ainda refletem a frustração com os estímulos monetários anunciados pela autoridade monetária do país na metade desta semana. Por fim, os índices futuros norte-americanos são cotados no campo positivo neste momento, à espera da divulgação da leitura preliminar do índice PMI da indústria de transformação referente a julho.

O ambiente de maior aversão ao risco faz com que o dólar se fortaleça ante as principais divisas nesta manhã, com destaque para as depreciações do iene e da libra. Já o renmimbi registrou leve apreciação. Os preços do petróleo registram modesta elevação, enquanto as principais commodities agrícolas e as metálicas industriais são cotadas em baixa. No Brasil, a fraca agenda de indicadores deve levar os principais ativos domésticos a seguirem a cautela do exterior.

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Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos – BRADESCO
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

Notícia Selecionada por Meirelles e Meirelles Advogados – Limeira

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