ALTERAÇÕES ECONÔMICAS E AJUSTES EMPRESARIAIS II – MILAGREIROS DE PLANTÃO

Por Vitor Meirelles

Sempre que surgem dificuldades econômicas, aparecem os que se convencionou chamar de “milagreiros de plantão”. São consultores de investimentos, de produção e produtividade, jurídicos, contábeis, lobistas, e uma infinidade de experts que tem a solução mágica que resolverá os problemas da empresa. No atual momento econômico que atravessamos, com empresas paradas, encerramento de negócios tradicionais, demissões e readequações trabalhistas, entre outros, forma-se o ambiente propício para a multiplicação destas atividades.

Já assistimos inúmeros casos semelhantes onde o empresário, mesmo o experiente, sucumbe aos argumentos destes “konçultores” e acabam por lançar a empresa numa situação muito mais difícil do que se encontrava antes de se agarrar a esta fantasiosa tábua de salvação. Na melhor das hipóteses, ele só perde dinheiro.

Temos o “konçultor milagreiro” que tem o caminho infalível para liberar dinheiro do BNDES, tanto para capital de giro, quanto para aquisição de máquinas e equipamentos e outros investimentos. Normalmente ele se apresenta como sendo um graduado ex-funcionário de uma instituição financeira e que tem contatos em Políticos em Brasília, e também tem influencia sobre os responsáveis pela aprovação dos projetos de investimento e liberação de recursos. Afirma que o valor dos honorários somente será pago após a liberação dos recursos pelo BNDES, o que seria uma operação sem risco. Então é solicitado ao empresário que crie um projeto de investimentos para apresentação ao BNDES. Mas este projeto tem que ser feito nos moldes do BNDES, pois senão corre-se o risco de não ser aprovado. O projeto é contratado junto a uma empresa indicada pelo “konçultor”, cujo valor pago pelo empresário será reembolsado vez que o custo foi embutido no investimento. Às vezes são pedidos valores para custearem viagens a Brasília para apresentação e discussão do projeto. Chega então o grande momento: sob algum tipo de argumento (p.e.: há muitos projetos na frente; mudou alguma exigência e alguém quer R$ para liberar com data anterior; o contato está com medo e quer receber uma parte antes; etc…) é pedido um valor em dinheiro para o empresário, para que o dito cujo possa acertar com seus contatos em Brasília e que o financiamento será liberado em questão de dias. À vista de já ter feito despesas para a liberação, mesmo após discussões acaloradas, o empresário acaba cedendo para tentar recuperar o prejuízo. A partir de então não se consegue mais falar com o milagreiro ou qualquer outra pessoa indicada. O empresário que já vinha em dificuldades, acumula mais este prejuízo.

Outro “Konçultor milagreiro” comum, é o de produção e produtividade. Este pode até quebrar de vez a empresa. Ex- funcionário de uma grande multinacional teria sido ele o responsável por quintuplicar a produção da antiga empresa, com redução da mão-de-obra e aumento dos lucros. Acaba demitindo bons funcionários que conseguem enxergar a leviandade da situação, sob o argumento de que são estes que estão emperrando as mudanças e causando prejuízos à empresa. Ele se envolve na negociação com fornecedores, clientes, agentes financeiros e, como se fosse um polvo, tem um braço em cada setor da empresa. Após sugar o que pode abandona a empresa e parte para outra. Deixa para trás uma empresa desarticulada e endividada. É bom destacar que, durante um breve período, ele consegue fazer a produção disparar, porém, só de um determinado componente e não do produto final e, aí, joga a culpa nos fornecedores, nos funcionários no maquinário inadequado que não agüentou a sobrecarga de trabalho, entre outros.

Como em todas as profissões, infelizmente também entre os advogados encontramos os “konçultores milagreiros”. Na maioria dos casos ele atua nas áreas de previdência social e/ou tributária. São três os focos mais recorrentes: redução dos encargos; redução ou anulação dos débitos e recuperação de créditos extemporâneos. Sempre há uma fórmula mágica e um contato na Receita Federal que vai colaborar. No mesmo molde do milagreiro dos financiamentos, os honorários só são devidos após o aproveitamento efetivo pelo empresário, mas sempre surge algum imprevisto que precisa que o empresário adiante algum dinheiro. Como é de se imaginar, some após receber.

Em todos os três casos é comum que o empresário, antes de concluído os serviços propostos, tenha indicado os milagreiros a amigos e conhecidos.

Tome cuidado. Muitos são os CONSULTORES verdadeiros e hábeis que realmente podem ajudá-lo a tornar sua empresa mais lucrativa ou ajudá-lo a se recuperar, mas fórmulas mágicas e milagreiras não existem.

Ao contratar um profissional, confira suas referências, de preferência as mais antigas de onde ele já se desligou. Se ele não tem, procure por um profissional da área, que seja da sua confiança para que ele se manifeste sobre a proposta de trabalho apresentada para ver se ela é crível ou fantasiosa.

Por respeito aos dignos Consultores, utilizei a grafia “konçultores”, que não existe na língua Portuguesa, para designar os aproveitadores descritos neste artigo.

 

Vitor Meirelles

vitor@meirellesadv.com.br

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